Buscando a notícia para você desde 2007 - Região dos Lagos - Ano 2015 -

Curiosidade aumentar a memória

Grande parte das coisas corriqueiras de um dia normal de uma pessoa são esquecidas. Por outro lado, alguns eventos e situações ficam na memória e são facilmente lembradas por muito tempo. Uma questão sempre levantada pelos pesquisadores desta área do conhecimento é: 

- O que diferencia as situações em que eventos são lembrados das situações que são esquecidos?

De uma maneira geral as pessoas lembram e aprendem com mais facilidade assuntos que interessam a elas, o que sugere que a motivação e a curiosidade - que é uma forma de motivação - são aspectos importantes no aprendizado e formação da memória. Esta constatação empírica é, no entanto, pouco entendida quanto aos seus mecanismos.

Este entendimento ficou mais próximo a partir dos resultados de uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Neuron. Em uma primeira fase do experimento um grupo de um total de 28 pessoas foi apresentado à diversas perguntas triviais em que o participante quantificava qual a probabilidade dele saber a resposta e o seu grau de curiosidade de saber a resposta.

Na segunda fase do experimento, as perguntas que os participantes tiveram baixa probabilidade de saber a resposta foram classificadas como de alta curiosidade ou baixa curiosidade e aplicada enquanto o participante se submetia a um exame de imagem dinâmico, chamado de ressonância magnética funcional, que indica quais regiões do cérebro são ativadas em determinada situação.

Entre as questões eram mostradas figuras neutras de pessoas.

Os pesquisadores investigaram quais regiões cerebrais eram recrutadas enquanto o individuo respondia às questões, relacionando as regiões com o grau de curiosidade. A fase final consistiu-se de um teste surpresa de memória em que eram apresentadas novamente as mesmas perguntas e as figuras das faces.

Os resultados revelaram que os participantes lembraram mais das perguntas que eles tinham maior curiosidade e, além disso, lembraram mais das figuras incidentais que estavam associadas às perguntas de maior curiosidade.

Por sua vez, a análise de imagem mostrou que as perguntas de maior curiosidade ativaram uma região do cérebro que funciona como sistema de recompensa - chamada de núcleo acumbens - e uma região, chamada de hipocampo, que é a responsável pela formação de novas memórias. Além disso, mostrou uma forte interação funcional entre estas duas regiões.

Apesar de ser um trabalho com uma abordagem metodológica relativamente complexa, o conjunto de seus resultados é bastante claro e confirma a hipótese motivacional do aprendizado. E vai mais além, ao demonstrar que o mecanismo está relacionado com a ativação de um circuito cerebral de recompensa na situação de curiosidade e que, interagindo com o centro formador de memórias, coloca o cérebro em uma condição fisiológica mais propícia para aprender e reter novas informações, sejam elas a origem da curiosidade ou simplesmente estejam temporalmente associadas a um estado de curiosidade.

Despertar a curiosidade de quem está aprendendo pode facilitar o aprendizado não só daquela curiosidade, mas também de todas as informações, raciocínios, práticas e habilidades que estão associados a ela.

Isto pode servir de estratégia formal para professores, instrutores, tutores e mestres em geral, no processo ensino-aprendizado, como também para aqueles que, com mais idade, queiram manter a memória em dia.


Referência Bibliográfica
-Neuron 84, 1-11, October 22, 2014, http://dx.doi.org/10.1016/j.neuron.2014.08.060

Combinação que pode ser perigosa = Medicação + Suplementos

Os suplementos nutricionais e vitamínicos têm apresentado um consumo crescente em vários países devido à sua grande publicidade sobre supostos benefícios à saúde.

A agência governamental que regula os medicamentos nos Estados Unidos (Food and Drug Administration - FDA) lançou recentemente um alerta sobre o uso combinado de suplementos e medicação.

Na classificação de suplementos dietéticos estão incluídos, além das vitaminas e minerais, outras substâncias como herbais, amino-ácidos, fitoterápicos, enzimas e extratos animais. Geralmente estes compostos não necessitam, para entrar no mercado, de pré-aprovação da FDA quanto à sua segurança e efetividade. Mesmo que alguns desses suplementos sejam mais conhecidos e com uso estabelecido há mais tempo, a maior parte necessita de estudos mais profundos para o entendimento do seu funcionamento e eficácia. Além disso, muitas vezes é confuso o discernimento entre o que é um alimento, um suplemento ou um medicamento sem receita.

Neste informativo o FDA alerta que tomar vitaminas e outros suplementos juntamente com medicação pode ser perigoso. Alguns suplementos podem aumentar o efeito da medicação e outros podem diminuir esse efeito. Isso ocorre porque certos suplementos podem alterar a absorção, a metabolização ou a excreção do medicamento, alterando desta forma a sua potência e eficácia.

Por exemplo, remédios para AIDS, para depressão, para o coração e mesmo pílulas anticoncepcionais, podem ter a sua eficácia reduzida se a pessoa faz uso da Erva-de-São-João, também conhecida como Hipericão. Dependendo da medicação envolvida, o resultado negativo pode ser sério. E, como esta, várias outras interações podem ocorrer entre medicamentos e suplementos.

A recomendação para evitar problemas de saúde, que podem atingir níveis graves, é consultar o médico para esclarecer os possíveis problemas com a ingestão de suplementos junto com remédios.

Referência Bibliográfica
-FDA Consumer Health Information / U.S. Food and Drug Administration OCTOBER 2014

Pequenas mudanças podem reduzir o risco de derrame cerebral

Hoje é dia da nossa coluna de saúde. E queremos alertar para as atividades que você leva no dia a dia. As rotinas e os afazeres do cotidiano podem ser prejudiciais para a sua saúde física e mental. Você já deve ter ouvido aquela frase antiga :

"Está nervoso? Vai pescar."

É por ai. Mude seus hábitos em prol de sua saúde.

Você provavelmente tenha algum parente próximo ou distante, ou conhece alguém que tenha sofrido um derrame cerebral. A alta incidência desta doença torna-a comum, porém não por isso menos grave.

O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame cerebral, é uma doença que afeta os vasos sanguíneos do cérebro. É uma das principais causas de morte e a principal causa de invalidez em todo o mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o AVC é a principal causa de morte entre adultos (10% dos óbitos). A maioria dos sobreviventes necessita de tratamentos de reabilitação devido aos danos neurológicos e 70% ficam incapacitados de voltar ao trabalho.

O acidente vascular cerebral ocorre quando um vaso sanguíneo que leva nutrição ao cérebro é bloqueado por um trombo (um tipo de coágulo), interrompendo o fluxo de sangue (chamado de AVC isquêmico) ou o vaso sanguíneo sofre uma ruptura, o que provoca um extravasamento de sangue do vaso (AVC hemorrágico). Nas duas situações ocorre a morte das células nervosas da região do cérebro que deixa de receber o sangue. A função que estas células exerciam é perdida (movimento e sensibilidade de um lado do corpo, articulação da fala, etc.).

Pois esta doença ameaçadora e de prognóstico tão sombrio pode ser evitada ou ter seu risco bem diminuído. É o que diz um novo estudo publicado no dia 6 de junho na revista médica americana Stroke. No estudo foram avaliadas perto de 23.000 pessoas acima de 45 anos que não tinham doença cardíaca prévia. O risco foi quantificado por uma medida de saúde cardiovascular desenvolvida pela Associação Americana do Coração e que consta de sete itens: controle da pressão arterial, não fumar, controle do colesterol, dieta saudável, atividade física regular, controle da glicemia (açúcar no sangue) e controle de peso. Cada item foi quantificado como pobre (zero ponto), intermediário (um ponto) ou ideal (dois pontos). O escore geral de saúde cardiovascular foi categorizado como inadequado para quem atingiu de 0 a 4 pontos, médio para os que tiveram de 5 a 9 pontos e ótimo para os de 10 a 14 pontos.

Os resultados da pesquisa demonstram que cada ponto a mais no escore foi associado a 8% na redução de risco de ter um derrame. Pessoas com escore classificado como ótimo (10 a 14 pontos) têm uma redução de 48% no risco quando comparados com os classificados como inadequados (0 a 4 pontos). Dentre os sete fatores de estilo de vida, a pressão do sangue foi o mais importante em prever a ocorrência de um derrame. As pessoas com pressão arterial ideal têm um risco 60% menor de ter um derrame.

Outro fator de grande importância é o fumo. Pessoas que nunca fumaram ou que deixaram de fumar até um ano antes do estudo ter iniciado têm um risco 40% menor de sofrer um derrame.

Devido a alta incidência de mortes causadas pela doença, assim como as consequências devastadoras resultantes das sequelas neurológicas, a conscientização pessoal para promover mudança de hábitos que afetam o estilo de vida devem ser urgentemente consideradas. Ainda há tempo, o custo é baixíssimo, restrito apenas a um pequeno esforço pessoal. Os fatores interagem entre si, ou seja, não fumar, atividade física e dieta saudável têm efeitos positivos diretos sobre controle de peso, açúcar no sangue, colesterol e pressão sanguínea.

Ao contrário de outros fatores de risco como genética e idade, estes três hábitos (comer de forma saudável, atividade física e não fumar) você é soberano para mudar.

Não morra nem fique incapacitado por um derrame cerebral. Comece já.


Referência Bibliográfica
- Stroke 

- Published online

Exercicios acabam com a depressão

(Foto - ABC da saúde)
A atividade física regular traz benefícios incontestáveis à saúde. A maior parte destes benefícios já tem comprovação científica, como a redução de mortalidade por qualquer causa, a redução do risco cardiovascular e de acidente vascular cerebral, bem como a redução do risco de alguns tipos de câncer.

No entanto, o efeito do exercício sobre a depressão ainda não está completamente esclarecido, apesar de alguns estudos indicarem um benefício.

A principal questão envolvida na relação exercício - depressão é a associação bidirecional dos componentes, o que impõe limitações à interpretação da maior parte dos estudos. Indivíduos deprimidos têm menor probabilidade de praticar atividade física regular e isto produz um viés quando se associa frequência de atividade física com sintomas de depressão num período curto de tempo. Em geral, as associações apontam para uma relação positiva, ou seja, as pessoas que se exercitam mais têm menos depressão. Porém, pode-se interpretar isto também pelo outro lado da questão, que as pessoas que se exercitam mais o fazem porque têm menos depressão. A depressão pode desabilitar o indivíduo para a atividade física e, portanto, uma indicação de direção da associação fica muito menos clara.

Uma forma de superar, ou pelo menos diminuir, esta dificuldade metodológica é produzir estudos prospectivos onde um grande grupo de pessoas é acompanhado por um longo período de tempo.

Uma pesquisa deste tipo teve os seus resultados publicados no dia 15 de outubro na edição online da revista científica americana JAMA Psychiatry. Cerca de 11 mil pessoas nascidas em uma mesma semana do ano de 1958 na Grã Bretanha foram acompanhadas até o ano de 2008 quando completaram 50 anos. O grupo foi avaliado por quase três décadas, com exames específicos aos 23, 33, 42 e 50 anos. A depressão foi medida por uma escala de sintomas e a frequência de atividade física por meio de questionário.

Os resultados, após análise estatística, demonstraram que as pessoas que se exercitavam mais tiveram menos sintomas de depressão. O aumento de atividade física nas pessoas inativas de qualquer idade também foi associado a uma redução dos sintomas de depressão nos anos subsequentes.

Apesar do estudo não provar uma relação direta de causa e efeito, os achados sugerem que a atividade física pode diminuir os sintomas de depressão na população em geral. Além disso, o estudo sugere também que a depressão no início da vida adulta pode ser um empecilho para o indivíduo desenvolver uma atividade física regular.

Teto : ABC da Saúde